Aos amantes do seriado GLEE, peço minhas sinceras desculpas. Principalmente a meus grandes amigos e amigas, que sei gostarem muito da série. Esta madrugada, no auge de minha insônia, naquela troca incessante de canais, resolvi parar na FOX e assistir algum seriado que estava passando, na tentativa frustrada de pegar no sono. Enfim, o sono não veio, e iniciou-se um episódio de GLEE no canal. Pensei cá com minha insônia: ouvi tantos comentários sobre esta série, mas nunca tive a oportunidade de assistir um episódio por inteiro. Partindo do pressuposto de que não me atrevo a falar do que não conheço, seria leviano julgar mal algo que não vi nem sequer uma vez. Mas estas críticas podem ainda lhes parecem um pouco “precipitadas”, afinal, não assisti a série inteira. Mas já cometi o grande esforço de assistir a um episódio até o fim.
Confesso que me assustei.
Personagens extremamente superficiais, diálogos que beiram a infantilidade, músicas interpretadas a La High School Musical e muito mais.
O episódio em questão era sobre “o poder de Madonna”, e a influência que sua carreira/músicas/vida pessoal/imagem exercem sobre as mulheres (como se todos estes fatores se resumissem em apenas um adjetivo: poder) enfim, uma diretora pseudoturrona que ensaia meninas trajadas de líderes de torcida diz que Madonna seria a grande responsável por sua postura “firme e determinada” e todas as garotas deveriam sentir a mesma firmeza e determinação que a cantora emana. Neste interregno o professor de espanhol e diretor do clube GLEE (?) também toma conhecimento da idéia genial (?) da Madonna lover e decide iniciar ensaios visando a interpretação vocal das músicas da diva do pop. Os meninos do grupo,previsivelmente, oferecem resistência. As meninas acham-os preconceituosos e machistas e subitamente começam a saltitar cantando uma música de Madonna. Enquanto isso, a diretora toma conhecimento dos ensaios do professor e vai, tomada de muita raiva, dizer a ele que o direito de ensaiar músicas da cantora é apenas DELA, pois Madonna a pertence.
Estranho.
Mas tem mais, os meninos depois de um súbito convencimento, decidem ensaiar as músicas. ENSAIO. Ensaio- mesmo em musicais que costumam dramatizar (no bom sentido) cenas normalmente sóbrias- significa algo informal,um processo que implica em aprendizagem da música, o tom em que ela será interpretada etc. Porém, GLEE, seriado muito vanguardista, quebrou com esta concepção conservadora de ensaio. Os alunos saem correndo pela escola, pulando e cantando sem qualquer necessidade de repassar novamente um refrão, ou começar tudo de novo. Simplesmente pronta. A apresentação da música, no ensaio, está acabada, perfeita.
É importante ressaltar também o drama que acontece nas intermitências dos ensaios e das apresentações saltitantes. Uma conselheira vocacional insegura em relação a sua vida sexual (desprovida do poder de Madonna, claro) que se sente impotente por não poder dar conselhos sobre a primeira transa a suas alunas, além da diretora pseudoturrona (a Madona lover) que é cheia de traumas psicológicos enraizados na sua infância sofrida, marcada por pais caçadores de judeus, que abandonaram sua prole, e ela, a irmã mais velha, se viu obrigada a cuidar das outras e não teve tempo para preocupar-se com sua aparência, e por isso tornou-se amarga e mal arrumada.
Enfim, foi demais pra mim, prefiro algo menos óbvio.
Troquei de canal e assisti ao final de um programa sobre o fotografo francês, Karl Langerfeld. Consegui dormir mais tranqüila, pelo menos.
PS: As cenas descritas aqui não resumem todo o episodio. Procurei selecionar apenas as mais absurdas.
Qual a diferença entre High School Musical e Glee? Reflexões? Boas interpretações? Ou só a produção Disney?
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