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terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Durval Discos, um Cult em potencial.

Dando continuidade ao projeto de férias, cujo objetivo é comentar alguns bons filmes que tive oportunidade de assistir durante meus 2 ociosos meses, optei hoje por Durval Discos, filme brasileiro, da diretora Ana Muylaert lançado em 2002,e que apesar de conquistar muitos prêmios no Festival de Gramado daquele ano, não chegou a ser um grande sucesso de público.
Durval, solteirão de meia idade que ainda mora com sua mãe, insiste em manter sua loja de LP’S ainda em funcionamento, apesar da notória decadência dos bolachões e a desenfreada ascensão dos CD’S. Os clientes são escassos, e os poucos que aparecem na verdade estão a procura de CD’S, deixando Durval extremamente irritado com a falta de interesse dos consumidores por seus tão bem conservados discos. Concomitantemente, sua mãe, já idosa e com dificuldades para cuidar da casa, contrata uma empregada doméstica para ajuda-la nos serviços mais pesados. A moça trabalha na casa por alguns dias, no entanto, subitamente desaparece, deixando uma graciosa menina (Kiki) – segundo ela, sua filha- para que Durval e sua mãe tomem conta. A senhora regozija-se, afinal, há muito não via sua casa tão alegre e colorida. A garotinha apega-se cada vez mais aos seus ‘tios’ e vice-versa, muitos presentes para ela são comprados e apesar de algum desconforto causado pelo surgimento inesperado da criança, a felicidade reina na casa. Subitamente, porém, Durval e a mãe descobrem que a doméstica na verdade seqüestrou a menina, e acabou sendo assassinada durante uma tentativa de fuga. Inicia-se então um clima sombrio e surreal no filme, marcado pela gradativa loucura da mãe de Durval em evitar a devolução da menina para seus verdadeiros pais tentando mante-la em sua casa a todo custo. 
Durval, Kiki e Carmita em uma das mais simpáticas cenas do filme
  
Utilizando-se de duas situações completamente distintas ,porém, interligadas e também de uma pitada de non-sense de extrema criatividade o que o filme de Ana Muylaert procura retratar é a dificuldade que temos em abandonar velhos hábitos, opiniões e vícios, e a luta incessante para mante-los intactos, apesar da insistência do tempo em desfazê-los. Durval não aceita que a era dos LP’s acabou, insiste em manter sua loja decadente e discute com clientes que dizem que ele deve modernizar-se e passar a comercializar CD’s. Sua mãe, Carmita, prefere enlouquecer a deixar Kiki-que trouxe tanta inovação e felicidade para a sua monótona vida- ir embora para seu verdadeiro lar. O desenrolar do filme obriga indiretamente um personagem a desfazer o mundo de ilusões em que o outro vivia; Durval chama a polícia que entrega a criança para seus verdadeiros pais e as loucuras de sua mãe acarretam na demolição de sua loja. 
Filme curto, porém muito bom. Propõe uma discussão muito delicada de uma maneira bem simples e criativa, acrescentado um toque de surrealismo e humor, poupando-nos,assim, de um filme longo com rebuscamentos desnecessários.
Bem, partindo do pressuposto que filme Cult é aquele que na época de estréia é esquecido pelo público, mas alguns anos depois é relembrado, reanalisado e reverenciado por novos cinéfilos, temos com certeza um futuro Cult novinho em folha. Recomendo!

Um comentário:

  1. e aeee
    Ideias simples, filmes bons. É uma receita que parece facil, mas poucos conseguem realiza-la. Me lembro quando assisti o Tempos de Paz. Ja chiei logo de cara, "iiii, la vem mais um filme da globo...". Me surpreendi. Uma simples idéia resultando num ótimo trabalho. Com ctz, são os cults chegando por ai! Bjaoo

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