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domingo, 9 de janeiro de 2011

A cultura lamenta..

Há uns dois dias, mais ou menos, li no twitter uma notícia da revista Carta Capital anunciando o fechamento do Cine Belas Artes- cinema de rua localizado entre a Av. Paulista e a Consolação, em São Paulo- devido reivindicação do proprietário do prédio para a construção de uma loja no local. Ontem novamente, agora no Jornal Nacional, o fim do tradicional cinema foi tema de reportagem, juntamente com o fechamento da Modern Sound , famosa loja de discos e, posteriormente de CD’s localizada no coração do Rio de Janeiro, e classificada como uma das melhores do mundo no ramo.

Cine Belas Artes e Modern Sound, respectivamente. 
A Modern Sound infelizmente, não tive oportunidade de conhecer. E nem terei. Contudo, consegui visitar a tempo o Cine Belas Artes, um espaço genuinamente artístico, que comunga – ou melhor, comungava- o cinema dito comercial e os clássicos do Cult, o antigo e o moderno, o romântico e o assustador. Além de possuir uma lojinha com ótimos filmes, e livros sobre cinema e um café para encontrar amigos, discutir idéias e comentar os filmes que serão ou foram assistidos.  
Tenho certeza que ambos os estabelecimentos não fecharam suas portas por falta de público cativo.Pelo contrário, a matéria do jornal inclusive mostrou muitos indivíduos revoltados, e dispostos a fazer abaixo assinados e despedidas para tentar comover os proprietários e evitar ‘o pior’.
No entanto, me pergunto, por quanto tempo ainda lugares como estes poderiam resistir funcionando, considerando o perfil atual de nossa sociedade? Quero dizer, quem ,hoje em dia, ainda quer saber de ir a um cinema (não ao cinema do Shopping) assistir algum filme sem mega efeitos especiais, produzidos sem a famigerada tecnologia do 3-D e desprovidos daqueles odiosos apelos emocionais e psicológicos? Quem ainda compra CD’s ou sente prazer em ir a uma loja ouvir lançamentos ou mesmos clássicos da música? Afinal, para que comprar CD’s se existe a internet a um power de distância?
Claro,ainda existem muitos ‘loucos’ que não abrem mão de freqüentar um bom cinema e de manter uma bela coleção de CD’s. Porém são muito poucos se comparados ao número de consumidores em potencial de nosso país. Práticas como estas já tornaram-se ‘retro’- segundo a nova terminologia- e seus praticantes pessoas nostálgicas, que vivem presas ao passado e não conseguem entregar-se aos tempos modernos.
O que me assusta- e comove- neste processo todo, é que o fechamento destes dois marcos da cultura brasileira não significa apenas o fim de mais um cinema ou mais uma loja. Mas sim a ilustração da atual decadência do interesse dos indivíduos pelo consumo da arte e também a falência de estabelecimentos que tenham como única finalidade promove-la. O paradigma do comércio artístico renasce, fragmenta-se; o cinema está no Shopping; a música na internet; os CD’s no supermercado.
A prática de freqüentar um lugar onde pode-se assistir a um filme, discutir ideias com pessoas interessadas no assunto, comprar livros sobre o tema e ainda ouvir uma boa música de fundo ou de adquirir um CD e ter a oportunidade de encontrar o intérprete das músicas que você gosta ao lado, comprando e ouvindo músicas também, estão ficando cada vez mais escassas e desvalorizadas. Tudo é mais rápido, funcional, e impessoal. Compra-se frango, toalhas de banho e DVD’s no mesmo lugar.
Concordo que o tempo torna-se cada vez mais escasso, e que temos que otimizá-lo e aproveitá-lo da melhor maneira possível. Contudo, tratando-se das discussões, reflexões, debates, enfim, de todo vasto conhecimento que estabelecimentos com o perfil de Cine Belas Artes e Modern Sound promoveram não deve-se poupar, mas sim gastar todo o tempo possível.    

Um comentário:

  1. Pois eh. Enquanto fecham livrarias, abrem polishops. Infelizmente, o lucro eh sempre o mais importante. O fechamento do cine Belas Artes é, na minha opiniao, caso semelhante ao da rodoviaria velha de maringa. Eu nao sou contra lucros, ou mercado. Mas a prefeitura preferiu demolir um marco historico da cidade, preferiu nao investir na memoria da cidade em nome de provaveis altos lucros com a abertura de um hotel no centro da cidade. Ninguem vive de amor, eu sei, mas se sempre o interesse do capital prevalescer, daremos ainda muitos “adeus” à Cines Belas Artes e Modern Sounds...
    vlw

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