Recentemente voltei a despertar meu interesse por seriados americanos. Não que eles não mereçam destaque ou atenção, pelo contrário, tem um papel importantíssimo na indústria da comunicação. Contudo, a imagem que sempre me deixaram foi de certa superficialidade, parecia-me que os episódios buscavam apenas entreter-me por 50 minutos, sem causar alguma perturbação intelectual.No final de cada temporada, a impressão que tinha era de que não haviam acrescentado-me nada.
Contudo, sou obrigada a admitir que meu julgamento foi no mínimo, pretensioso.
Duas séries no ultimo mês mudaram completamente minha concepção sobre o que é um seriado norte americano; Boardwalk Empire e The Sopranos. Ambas, superproduções do canal HBO e centradas na temática da máfia, gangsters, política e corrupção.
A muitos pode parecer que tenho um fraco por seriados políticos e violentos, na verdade até tenho. No entanto, não foram estas características que chamaram minha atenção. Apesar de não apreciar muito os seriados, como já havia dito, conheço-os relativamente bem. Tive a oportunidade de assistir (não completamente, confesso) muitos deles, inclusive com a mesma temática. Mas nenhum foi capaz de sair da tópica do “seriado policial”. “Tiras”, gangsters malvados e desprovidos de escrúpulos que extorquem dinheiro de pessoas inocentes e matam indeliberadamente, e que, principalmente, tem o que merecem no final e o mundo acaba “limpo” de toda esta escória imunda.
A escória imunda continua existindo. Os gangsters continuam existindo, e praticando os mesmos atos condenáveis que sempre praticaram. Matam, subornam, mentem, trapaceiam. Mas o que tem por trás disso? Qual o efeito da práticas destas organizações na sociedade e dentro de suas famílias? Como eles vivem , o que pensam? Como conseguem lhe dar com tantas mortes, tanta “sujeira”? Será que necessariamente sempre são pessoas malévolas, planejando o domínio pleno? É o que lhes pergunto. Até então estas respostas ficavam fora do roteiro dos episódios, pois não era interessante executar uma produção voltada para a televisão contendo temáticas tão polemicas, que geralmente apareciam apenas em filmes, que tem um público alvo e uma exibição restrita. Não era interessante deixar o vilão impune semanalmente, no mesmo horário e no mesmo canal.
Tony Soprano: apenas um mafioso?
O elegantemente corrupto Nuck Thompson em Boardwalk Empire
Foi exatamente ai, que, a meu ver Boardwalk empire e The Sopranos quebraram com os padrões decadentes deste gênero de seriado. Seus respectivos roteiristas, diretores e produtores conseguiram contrabalancear violência gratuita com humanidade, conflitos existências, problemas familiares, enfim, com subjetividade, e, assim, criaram novas perspectivas, aumentaram as possibilidades e limites que até então pareciam petrificados neste ramo.


ai siim
ResponderExcluirinalgurando os comentarios do bloooog
e realmente, nao vi boardwalk empire, mas the sopranos eh excelente!
com ctz, saiu daquele jargao de tiros e tiras de seriados policiais envolvendo gangsters
bjaooo
Raquel,
ResponderExcluirInicialmente, parabéns pelo Blog. Ótima iniciativa.
Compartilho com você o entusiasmo pelas novas séries que surgiram (não tão novas,afinal, Sopranos já conta com algum tempo. Isso para não falar de Twin Peaks, excelente série dirigida por David Lynch).
Quanto à sua pergunta:"Será que necessariamente sempre são pessoas malévolas, planejando o domínio pleno?", acredito que estas séries se sobrepõe às demais justamente por não oferecerem respostas simples. Justamente por fugirem do maniqueísmo que impera em Hollywood, os típicos "mocinhos e bandidos". Até mesmo levando-nos a certo desconforto moral, por não permitir um simples enquadramento através de noções confortáveis como "bem e mal".
Por fim, sugiro que aproveite suas férias para assistir Mad Men, ótima série da AMC. Que, por mais que não seja minha preferida, trata de questoes extremamente intimistas e sutis. Acredito que você irá gostar.
Abraços,
Lucas N.
Acompanhei o processo que levou à criação deste blog e fico feliz que aqui esteja ele. Acho muito bom e produtivo que ele venha a se desenvolver, tanto para você como para nós leitores dele. Sobre blogar digo, "roots cara, roots cara" e fico a espera de mais e mais... Grande abraço Zé (Quel).
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